5 mitos sobre ser uma redatora freelancer

Atuo como redatora desde 2013 e de lá para cá, minha vida de freelancer me trouxe aprendizados valiosos. Para fazer o que realmente gosto e construir uma vida alinhada com o meu estilo e o meu propósito, tive nesses anos que me libertar de uma série de mitos que vivem sendo ditos por aí, tanto por outros profissionais, quanto pelo mercado. Cada um deles me impediu bastante de ver possibilidades e de crescer, por isso, acredito que valem ser compartilhados!

Mito n.º 1: Trabalhe barato agora e você será recompensada no futuro

Existem muitas formas de determinar o valor do seu trabalho. Porém, você só se sentirá realmente recompensado quando seu trabalho for capaz de sustentar a vida que você deseja. Por isso, desde o início, o trabalho precisa ter esse valor, caso contrário, cedo ou tarde você se sentirá desvalorizado e frustrado.

Quando você pensa em trabalhar barato apenas para se destacar diante da concorrência, acredite, quem está saindo na vantagem é o seu cliente; VOCÊ, no entanto, estará apenas pagando para trabalhar! Quando você cobra mal, acaba atraindo apenas mais clientes que querem pagar mal pelo seu trabalho e, acredite, é melhor ter poucos clientes que pagam bem do que muitos clientes que pagam mal…

Se você não sabe quanto custa a vida que você deseja, comece pelo menos descobrindo quanto é o seu custo de vida atual e o custo da sua vida freelancer – lembrando que esse orçamento pode, muitas vezes, se confundir (basta pensar que, no custo do seu aluguel, por exemplo, também está embutido o custo do seu home office).

Isso já vai te dar uma grande pista do quanto você precisa ganhar só para, digamos, sobreviver. Com essas cifras em mãos, você já tem como calcular o número de horas que pretende trabalhar e o seu valor/hora como profissional. Esse valor é, digamos, o seu valor limite, portanto, cobrar abaixo dele só vai trazer prejuízo para você.

Eu demorei muito tempo para fazer essa conta e entender esses valores. Principalmente no começo, me pegava fechando toda sorte de trabalho, por valores muitas vezes abaixo da minha hora. Isso, com o tempo, ia me causando um tremendo descontentamento e, diversas vezes, desgastando a relação com o cliente.

Uma regra de mercado valiosa, vale também para o mundo freela: conquistar um novo cliente é muito mais trabalhoso do que construir uma boa relação com um antigo. E construir uma boa relação requer cobrar um preço que seja justo para você receber e também que ele possa pagar. Estabelecendo esses números desde o início, você está mais próximo de chegar onde deseja.

A concorrência, acredite, é problema da concorrência. Se o seu cliente não é capaz de pagar o preço que vale o seu trabalho, talvez ele não seja um cliente para você.

Boa parte dos freelancers que está preocupado com a concorrência, não se debruçou para avaliar objetivamente quanto vale o seu trabalho e por olhar a grama do vizinho, não sabe sequer a qualidade da grama do seu próprio jardim.

Realidade: Quem trabalha com preços abaixo do custo da vida que deseja, acaba pagando para trabalhar e ficando desgastado e descontente com sua vida de freelancer.

Mito n.º 2: Você precisa ser um expert em SEO

Esse mito é bastante relevante não apenas para redatores, mas também para blogueiros. Parece que se tornou um dogma isso de que você precisa entender tudo de SEO se quiser escrever na internet. Mas, na verdade, você não precisa. Até porque, um conteúdo original e bem feito chega ao topo do rankeamento dos buscadores, independentemente das métricas utilizadas. Vale mais um bom conteúdo, do que uma boa métrica, eu diria.

Além disso, os próprios blogs e sites já contam com verificadores automáticos de SEO. Se você usa WordPress, por exemplo, pode testar o Yoast, um plugin bastante completo.

Realidade: Se você gera conteúdo para um blog de uma empresa, converse profundamente com seu cliente sobre seus produtos e serviços e use essa conversa para estabelecer as principais palavras chave para o seu cliente. Se você souber encaixar essas palavras chave de forma criativa em seu texto, acredite, isso é muito do que você precisa para ser bem sucedido em termos de rankeamento.

Por razões óbvias, você não precisa incluir as palavras chave em cada parágrafo, até porque, essa repetição intencional é banida pelo Google e outros buscadores.

Para saber mais sobre como usar palavras chave, recomendo a leitura desse artigo aqui.

Se você for capaz de escrever um bom texto que atraia clientes ou mesmo leitores usando palavras chave de forma estratégica, acredite, você terá bons resultados e será reconhecido por eles.

Mito n.º 3: Você precisa de qualificações como jornalista

Talvez você não saiba disso, mas desde 2009 por determinação do Supremo Tribunal Federal, tanto a exigência do diploma quanto o registro do profissional do Ministério do Trabalho não são condições necessárias para que um jornalista exerça a sua profissão. Se tiver curiosidade, pode ler na íntegra o conteúdo dessa decisão aqui e a notícia sobre ela aqui.

Bom, e se nem para ser um jornalista propriamente você necessita de um diploma como tal, exigir isso ou qualquer qualificação de jornalista para um redator freelancer não me parece muito razoável.

A minha percepção sobre esse tipo de exigência tem muito mais a ver com uma questão de mercado do que de qualificação propriamente. Com a revolução provocada pela internet, houve uma grande decaída das mídias impressas e, consequentemente, um grande número demissões passou a fazer parte do dia a dia das redações. Muitos jornalistas vêm migrando para a geração de conteúdo digital e também para a área de marketing digital, por visualizar novas oportunidades de mercado.  Então, por uma questão de protecionismo e até da cultura que temos aqui no Brasil, vejo essa tentativa de restringir o mercado, como forma preservar seus ativos para menos profissionais, ainda que, outros profissionais possam ser tão capacitados e habilitados para escrever, quanto um jornalista.

Esse pensamento, na minha forma de ver, além de ser pequeno não tem a menor razoabilidade, já que muito daquilo que jornalistas aprenderam nos “manuais de redação jornalística” servem para absolutamente nada quando falamos de escrita para internet.

Realidade: O que blogs, revistas digitais e sites precisam é de freelancers com boas ideias para artigos e com capacidade de entregá-los no prazo estipulado. Boa parte dos editores não liga a mínima para as suas qualificações, desde que suas ideias sejam boas, bem estruturadas e seu texto bem escrito e original.

Mito n.º 4: Você precisa estar disponível fora do horário comercial

A internet rompeu fronteiras, trouxe novos paradigmas, aproximou as pessoas, facilitou a comunicação e, na minha humilde opinião, vem revolucionando as estruturas mais jurássicas relacionadas ao trabalho. Isso, obviamente tem consequências boas, mas também consequências ruins.

Em outras palavras, seu cliente pode ver que você viu a mensagem dele no whatsapp às 2h da manhã e não respondeu, demonstrando extrema desídia com o trabalho…

Eu demorei um tempo a entender isso e confesso que nesses três anos atuando como redatora, esse foi um dos mitos que mais me prejudicou profissionalmente e pessoalmente.

O trabalho de um redator é um trabalho, antes de tudo, criativo. O que significa que você precisa de concentração e tempo para criar. Para deixar bem claro, se você não colocar limites para responder e atender seus clientes, você corre o risco de passar o dia todo atendendo clientes e madrugadas e mais madrugadas escrevendo. Isso tudo gera uma brutal queda no seu rendimento e os trabalhos  acabam mesmo se atrasando.

Fora que mostrar esse tipo de disponibilidade faz com que o cliente interprete que ele também paga por essa disponibilidade, passando a exigir ela a todo o momento.

Esse tipo de atitude, no final, prejudica a qualidade do seu trabalho e é só você é quem sairá perdendo, tirando suas horas de descanso e lazer para ficar trabalhando mais e mais.

Meu trabalho, por mais que eu ame ele, é parte da minha vida e cabe somente a mim, estabelecer quanto dela eu quero dedicar a ele. No final das contas, essa liberdade é o que me motivou e é o que motiva muitos redatores freelancers a se dedicarem a essa profissão, certo? Então é preciso estabelecer limites, especialmente, de horários de atendimento a clientes.

Realidade: Estabelecer horários, dentro do horário comercial, é o melhor a fazer se você quer manter uma relação saudável com seu cliente sem que isso prejudique o seu trabalho e a sua vida pessoal. Colocar os limites desde o início da relação é necessário.

Mito n.º 5: Ser redator para ganhar uma renda extra é um excelente negócio

Alguns sites e plataformas que compram conteúdo vendem a ideia de que ser um redator freelancer é uma ótima oportunidade de se ganhar um dinheirinho extra no final do mês. De fato, como qualquer freelancer, um redator também é capaz de dedicar o número de horas que quiser para fazer seu trabalho.

Porém, o que eu percebi trabalhando foi que, enquanto eu não me foquei, não me dediquei realmente aos textos e, mais ainda, a ler e estudar sobre técnicas de webwriting, escrita e marketing digital; eu simplesmente me mantinha como aqueles equilibristas de prato que víamos no circo. Além de não receber de fato pelo que eu trabalhava, eu não tinha reconhecimento pelo que fazia, dificultando indicações e recomendações dos meus clientes para terceiros e limitando meu potencial profissional.

Quando nos focamos em algo, acredito que essa energia nos abre muitas portas. Para tudo na vida. Amo a multipotencialidade, sou super curiosa, adoro mil coisas e tenho uma enorme dificuldade de me focar. No entanto, enquanto eu permanecia sendo uma redatora de uma hora por dia, fazendo textinho e ganhando dinheirinho, eu não saia do lugar. E essa suposta “renda extra”, ao final, não me gerava um valor que me trazia um real benefício, ou seja, que me impulsionava para um caminho de prosperidade.

Realidade: Se você quer ganhar como um bom redator, pague o preço de ser um bom redator.

E você? Trabalha como redator freelancer? Concorda com os mitos de ser um freela? Então deixe sua opinião nos comentários abaixo!

9 comments

  1. Muito interessante seu post.
    Eu trabalho com SEO há 1 ano e meio e, antes disso, trabalhava com redação para web também, mas me restringi a fazer isso enquanto eu não encontrava um emprego fixo – sempre tive problemas com gerenciamento de tempo, então trabalhar em casa nunca foi fácil. Nesse tempo, fui cobrado por contratantes para me preocupar com SEO e, sinceramente, não conseguia entender por que diabos um redator tem de saber SEO do jeito que cobram. Eu escrevia textos para e-commerce, portanto, para usuários que buscam informações sobre produtos, textos descritivos com marketing de conteúdo. Quem vai subir esses textos é que deve se preocupar com SEO, não é? É realmente uma exigência muito descabida.

    • pois é, Willian… Acho que o problema é que as pessoas estão valorizando demais as métricas e não o conteúdo… Infelizmente. Mas eu acho que na medida em que os clientes vão percebendo que isso não é o que gera resultado… Ou seja, tráfego sem conversão é igual a nada, as coisas tendem a mudar. Eu sinceramente espero! Obrigada pelo comentário!

  2. Olá Helga,
    Eu passei pela mesma situação que você: trabalhava por um custo baixo e ficava extremamente infeliz. Resultado: abandonei a profissão de redatora freelancer.
    No mês passado, resolvi retomar a profissão. Durante esse período, aprendi que a pessoa tem que se valorizar como profissional e não aceitar escrever um texto de 1000 palavras por uma ninharia.

    • Olá, Luciana! A vida de redatora é um grande aprendizado! Seja bem vinda de volta! 🙂
      É difícil se valorizar, não é verdade? Parece que no mundo corporativo a gente aprende a fazer justamente o oposto, para se conformar com coisas que não concordamos…Mas como e falo no post, quando a gente não se valoriza entra em um ciclo vicioso, em vez de um ciclo virtuoso. Boa sorte e no que puder ajudá-la estou a disposição!

  3. Oi Helga!
    Trabalhei no scbf e lembro de você pela Karina.. Estou iniciando no mundo freela, mas por enquanto só estou pegando traduções de documentos de qualquer tipo pelo upwork, que é o que sei fazer e o que consigo encaixar no horário de trabalho. Penso em começar a fazer alguns cursos para poder me engajar em outros serviços que me interessam. Ainda não estou preparada para me dedicar full time a esse projeto, pois ainda sou muito dependente da renda como assalariada. Acredito que aos poucos a luz vai clareando..
    Gostei muito do seu site e fico feliz que tenha se desgarrado do mundo jurídico e seguido sua paixão! Adoro ver esses exemplos!
    bjos
    Julia

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