Deadlines: como fazer para que eles não matem sua carreira de redator freelancer

Acredito que nenhum profissional perde prazos porque quer. Sempre existe uma razão por trás daqueles que falharam ao cruzar a famosa linha de morte. Porém, por mais razão que exista (e por mais nobre que ela seja), em muitos casos, deadlines não cumpridos significam mesmo a morte de uma relação entre o prestador de serviço e seu cliente. Se você é redator freelancer, sabe bem do que estou falando.

Perder um prazo dói, gera culpa, remorso e prejuízo. Então, precisamos ir mais fundo nessa questão do que um simples “compre uma agenda e está tudo resolvido”. Eu mesma confesso que no final do ano passei maus bocados com prazos e perdi um cliente por conta disso. Por isso, mais do que reiterar a mensagem de que prazos são sagrados, precisamos compreender que somos humanos, passíveis de erros e… tudo bem! No post de hoje gostaria de compartilhar meus aprendizados sobre esse tema tão objetivo na teoria e tão complexo na prática. Bora?

Criatividade não funciona com hora marcada

Trabalhar com criatividade não é algo simples. Muitas vezes eu sento na frente do computador, olho aquela folha em branco e ela se parece com um vazio enorme, existencial e intransponível. Diante dessa sensação, você tem apenas uma coisa a fazer: não deixar que esse sentimento te domine.

Já falei um pouco sobre os bloqueios criativos aqui e às vezes me pego lutando contra eles. Sei que essa briga não é simples, especialmente quando o tempo está se esgotando. Porém, sabendo que a criatividade não tem hora para chegar, aposte em um bom tempo de folga para poder trabalhar com tranquilidade.

Se você é redator e freelancer em tempo integral como eu, você já teve ter uma ideia de quantas palavras escreve por dia ou qual o volume de textos que consegue fazer com tranquilidade, não? Então procure não pegar mais textos do que isso, ou ao menos, trabalhe com uma margem de segurança a partir desse parâmetro.

Tenha o seu deadline

Uma dica que vem funcionado comigo é sempre marcar na agenda deadlines antes da data fatídica do cliente, pois não vou mentir, a minha tendência é sempre deixar tudo para a última hora.

Como lido com muitos projetos, me preocupo com o que está escrito na minha agenda e não com o prazo do cliente. Isso me ajuda a resolver os textos antes sem me prejudicar. Essa técnica também me ajuda a renegociar prazo com o cliente, caso eu veja que não está rolando.

Trabalhe o seu senso de urgência

Vivemos em um mundo onde tudo se tornou urgente e a maioria de nós anda com esse senso um pouco deturpado, ou seja, nos falta um certo referencial. Porém, vamos falar a real: ninguém vai morrer porque você não entregou um texto, muito embora, isso não te dê o direito de se comprometer com prazos que você não cumpre.

Lembre-se que você tem total autonomia para aceitar ou não os prazos que o cliente te impõe. Pedir mais prazo não significa que você é menos eficiente no mercado, até porque eficiência não se mede apenas por entrega, mas também por qualidade.

Tenha em mente qual a quantidade de textos que você consegue vencer por dia com tranquilidade e não aceite prazos pouco razoáveis dentro do seu parâmetro.

Não pegue mais trabalho do que pode cumprir (e isso ainda vai acontecer com você!)

Essa é a vida freela, meu amigo. A vida como ela é! Você está sempre prospectando trabalho, buscando projetos e clientes para justamente pagar as contas no final do mês. Até que de repente, não mais que de repente, começa a chover na sua horta e cliente a brotar do chão. Acredite, você vai se sentir poderoso e fatalmente vai cair no desengano de pegar mais trabalho do que você pode fazer. Vai acontecer. Simples assim. E você vai falhar com seus prazos. Acredite. É uma lição difícil, tipo porre que você precisa tomar para entender o que é uma ressaca…Mas depois que acontecer não seu culpe. Aprenda com a lição. Não cobre pelos trabalhos que não cumpriu. Siga em frente.

Cuidado com o perfeccionismo

O trabalho do redator freelancer, assim como o do designer e de outros criativos, conversa bastante com o lado artístico de cada um. Por isso, não se espante se muitas vezes você se pegar querendo fazer de um texto (ou um job) uma obra de arte. Lembre-se sempre: feito é melhor do que perfeito. Quem diz se o trabalho foi bom é o cliente e não você. Acostume-se com essa ideia.

Organização e rotina

Eu sou do tipo que já caiu nesse engodo de que a vida freela é cheia de liberdade e você trabalha a hora que você quiser e isso é lindo… Bom, se eu poderia dizer algo sobre a vida freela, usaria um clichezão lá do sr. Renato Russo: disciplina é liberdade. E quando você cria o hábito de escrever diariamente, faz uma rotina para você, acredite, os prazos fluem mais fácil, o bloqueio de escritor minimiza e você tem mais controle sobre eventuais problemas. Investir em uma rotina, mesmo que você (como eu) não goste dela, é algo que compensa.

Tenha uma rotina e procure se organizar com ela. Eu uso bastante a agenda do Google e o método Pomodoro. Já falei um pouco aqui sobre ele e como me organizo no meu dia a dia.

Cuide da sua saúde

Ano passado eu tive uma protusão lombar, ou uma “quase hérnia de disco” que me deixou parada na cama por um mês. Ainda que isso não limitasse a minha capacidade de escrever, em tese, a dor, somada ao fato de ter que trabalhar na cama me fizeram atrasar diversos prazos. Confesso, não foi fácil de lidar. Cuide bem da sua saúde, se alimente corretamente, faça exercícios físicos, invista em móveis ergonômicos. Nada disso é luxo (exceto isso aqui).

Se você trabalha em casa, você tem uma série de possibilidades: eu mesma faço muitos exercícios pelo Youtube e procuro cozinhar a minha própria comida, priorizando sempre alimentos mais saudáveis. É uma questão de escolha. Sem mimimi e ponto.

Perdeu o prazo, encare a realidade

Pois é, o pior aconteceu. Não vamos acender uma vela para o defunto e fazer a lápide do “aqui jaz um job não entregue”. A vida segue e temos responsabilidades pelos nossos erros. Errou, não entregou, assuma a sua responsabilidade.  Na prática isso quer dizer: se desculpe com o cliente, veja a possibilidade de renegociar o prazo, pagamentos etc. Eu, em situações como essa entreguei o trabalho e não cobrei. Paciência. Se o erro foi seu, busque ao menos minimizar o dano tentando não perder o cliente.

Todos nós falhamos e tudo bem. A vida segue. Quanto mais você ficar se culpando, maior é a tentação de fugir da responsabilidade e é aí que um probleminha pode se tornar um problemão. Problemas com prazo acontecem muito, mesmo que a realidade do deadline seja sim trágica.

A melhor forma de evitar problemas com atrasos é entender a razão pelas quais eles estão ocorrendo. Procure olhar os motivos de forma objetiva, sem culpas ou julgamentos. Frases do tipo: “eu sou procrastinador”, “vou melhorar”, “vou comprar uma agenda” e etc não te levam a lugar nenhum. Identifique o problema, pense em uma solução e de preferência mais prática do que “não vai mais acontecer”. Um prazo perdido requer atitude e não mais promessas.

Esse post foi útil para você? Já teve problemas com deadlines? Como você lida com essa questão? Deixe seus comentários aí embaixo! Fala que eu te escuto!

2 comments

  1. Amei o post!Passei por várias situações relatadas aqui. Muito bom saber que existem pessoas como A Redatora capazes de compartilhar sua experiência com a gente. Valeu!!

    • Obrigada Serrana! Muito feliz de ler seu comentário! Espero ajudar outros redatores sempre! Trabalhar com criatividade e prazos é um desafio para poucos!

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